quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A pequena parte do todo (Fractal)

Perco meu tempo
Desenho
Luas,
Curvas
Desenho grama
Mato
Flores
Desenho Árvores
Seus Cabelos
Olhos
Viajo nos traços
viajo no som
Termino a última estrela
Vejo
A noite enluarada
Sobre o verde musgo, feio
Ora assino
Ora esqueço
Me perco
E depois,
Depois do Zênit,
Vem a pesada espuma
E transforma teus olhos em pó colorido!!!!

Eet

A questão é bem mais complicada que ser ou não ser...Muito mais complexa.
Se fosse só ser ou não ser já havia escolhido um lado. No caso os dois lados...
Mas é difícil dividir em ser ou não ser quando o que importa é seu sorriso, seus olhos, seu olhar, traços.
Neste caso , não sou e sou...Mas não sei ser, não há como ser.
Nunca mais voltarei a ser...e nunca mais não serei...
É muito mais subdividido

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Infecção

Primeiro arde
A infecção
É rápida
Invade não só o corpo
Arde a Alma

O primeiro sintoma
Sorriso
Alegria inexplicável
Poemas bobos

Depois piora
O segundo sintoma
Fantasia
As viagens
Os desejos
As invenções

E depois piora
Vira tédio
Paranoia
Loucura!!

A ardência vira incêndio
Vai queimando
Corroendo
Quebrando cada fibra
Desdobrando cada fibra

E piora
Lisogênese
Ciclo
Lítico
Dor
Som
Arritmia!!

O Amor é Vírus Ignorante
Mata,
Pouco a pouco,
O Hospedeiro

domingo, 25 de setembro de 2011

Desconcerto à um mural Lunar

Se pudesse ser algo
Qualquer coisa
Seria um ponto de teu desenho

Queria ser um traço
Uma curva
Uma estrela
Um pedaço da Lua
Uma Listra
Uma roda
Marola
Do Tempo
Da Música
Um fantasma
Marfim
Ébano
E o fim
É meu fim.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Uma Ode Das Estrelas Para Um Amor (Ainda) Não Declarado

I
Seus olhos...
Tem algo diferente neles
Um brilho extra por tras desses lagos escuros
Algo sorridente e tristes ao mesmo tempo
Sombrio, Sóbrio, Límpido, Cálido
Talvez seja a maneira com que seus olhos olham
A maneira com que você olha as coisas.
Olha o mundo
A maneira como você consegue olhar para tudo e ver.
Não é só olhar, mas ver
Ver a arte numa folha em branco
Ver poesia numa manchete
Ver desenhos nas nuvens
Ver desenhos em tudo!
Tem algo novo no seu olhar...
Talvez seja a maneira com que me perco olhando você olhar

II
Seu sorriso...
Cada vez que seu rosto
Se abre em um sorriso
É como se na minha frente
Uma criança surgisse
Seu sorriso
É o de uma criança surpresa
É esse o tom de seu sorriso
Tão lindo
Luminoso
Franco
Puro
Por que é um sorriso de uma criança
Uma criança surpresa
Porque acaba de descobrir o mundo!!
(de novo)

III
Seu jeito...
Ah, como esperas que me detenha com seu jeito
(vivo, ardente)
Ante mim?
Como posso eu me deter
Com sua voz mansa
Com suas palavras
(sim!)
Essas palavras escolhidas pelo destino
Para acariciarem meus ouvidos
Tua Aura
Tão pura
Não a cor que possa classificar sua aura
Nem palavras...
Emana arte
Sua sensibilidade
Tão humana....
Seu jeito de encarar uma simples flor
Uma pena
Um pedaço de carvão
Um galho seco
Assim como seu perfume, ela parece estar em todos os lugares
Nos corredores
Nas salas vazias
Na minha mente desocupada
Como se não fosse mais eu
Não sou mais eu
Desde que percebi
(pela primeira vez)
Seu jeito

E ainda tenho tanto à dizer

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Que tous ses pas etaient des sentiments.

Quero desenhar teus traços
Como Galileu traçou as constelações
Quero Sentir seu toque
Como Ariana sentiu Dionísio
Quero Escutar sua voz
Como Eurídice só ouviu Orfeu
Quero te ver dormir
Como Tisbe viu Príamo
Quero conseguir esperar você
Como Penélope Esperou Ulisses
Quero amar-te
Como meus Pais se amam
Estou caindo...
Caindo nos profundos lagos acastanhados de seus olhos
Como Ícaro se viu caindo do Céu

Base Quatro

Quando Corro
Pés descalços
Sinto a grama
Orvalho
Terra
Lama

Quando Corro
Escuto o vento
Sussurrando
No meu ouvido
Ao passar Cantando

O barulho,
Murmúrio,
Me lembra o infinito e verde Mar...

E então
Grama
Terra
Orvalho
Lama
Vira
Água
Onda
Peixe
Concha
Areia

sábado, 10 de setembro de 2011

Mórula

Esse mormaço às vezes me irrita
Mas aqui de cima é tudo tão claro
A brisa suave se torna forte
Os aromas mais verdadeiros
A vista mais bucólica
A procura pelo fruto ideal
(tão cálido e onix como a íris de teus olhos)
Gosto de dividir tudo com os pássaros
Ouvir o canto, as asas
Aqui em cima me sinto um pássaro
Contemplo toda Liberdade,
Paisagem
Aqui em cima,
No topo do meu mundo,
Tupo passa em câmera lenta.
Lá em baixo,
"Eles passarão*"
Aqui em cima,
"Eu passarinho*"!!


*Mário Quintana , Poeminha do Contra




quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Incertezas

Seria tola se confiasse nas incertezas do Amanhã.Já sou insegura demais e tenho minhas caixas e gavetas cheias de dúvidas e minhas próprias incertezas.Não posso confiar no Amanhã.
Não que não goste de me aventurar. Eu adoro me aventurar, mas prefiro uma expedição pelos seus olhos brilhantes e infinitos ( como o horizonte no momento do sol se pôr) e pelo seu cabelo despenteado do que por um novo dia.
Seria tola também se me agarra-se apenas às lembranças...E nesses tempos são tantas.O problema das lembranças é que elas vão ficando nebulosas e tão incertas como o Amanhã...Então tanto o Ontem como o Amanhã se transformam numa fantasia, numa utopia inerte e repetitiva. Cada vez que me agarro ao Ontem ou ao Amanhã, faço hora extra no meu mundo imaginário*.
Mas, tolice mesmo seria ignorar isso que estou começando a sentir Hoje.Essa incerteza brilhante de seus olhos, de suas frases,de seu sorriso...Essa incerteza que Hoje me resgatou de algum lugar lúgubre do século XIX enquanto caminhava sem rumo por corredores abarrotados...Essa incerteza que me faz escrever agora e só agora!
Nessa incerteza confio, cegamente...Confio nessa incerteza que surgiu Hoje, que estava perdida em algum nicho nas paredes amareladas do Tempo.
É tão certa essa minha fé na incerteza, que não confio em mais nada.Nem no Amanhã, nem no Ontem, apenas naquele momento em que minha incerteza encontrou a sua.


* Frase da Carol Santos *---*
PS: Carpe Diem



domingo, 4 de setembro de 2011

Das nostalgias vividas à frente do IFGW

Sabe, agora tive vontade de escrever....Não sei bem por que, mas acho que eu nunca sei bem por que...Bem, vou escrever agora à Caroline das boas prosas, que ontem me fez lembrar (entre "três espiãs de mais" e outras coisas) do meu primeiro poema.
Acho que era o primeiro...Chama-se primavera

"As flores cheirosas atraem as borboletas
Que recolhem as sementes e espalham pela natureza
As flores cochilam no inverno
Mas na primavera é um festival de Vermelho e Amarelo"

Gracinha não? Vamos à um Hai-Kai para começar a Semana

Gleb Watachin*
Se pudesse Ser algo da natureza
Seria aquela folha, aquela mesmo,bem na entre o céu e o sol.

* Como dizia Hilda Hilst, Informe-se

Reparações

Já reparou
Quanto mais olha pro céu
Mais estrelas começam a cintilar?

Já reparou
Que aquela grama brilha tanto
Que até dá vontade de deitar lá (e não sair mais)?

Já reparou
Que aqui tá tão gostoso, o céu tá tão azul?
Não quero mais levantar desse banco

Já reparou
Que a lua tirou férias
E foi substituída pelo Gato de Cheshire?

Ah quantas mais,
E quantas reparações hei de fazer,
Para que finalmente repares em mim?

Suposições

Acho que gosto...
Não sei exatamente do que
Não sei exatamente por que.
Acho que gosto
Do seu cabelo
Apontando em todas as direções
Do sei sorriso
Tão...Não sei
Acho que gosto
Porque ainda não sei
Acho que gosto
Por que você
Me Faz sentir algo
Que não consigo
(nem com as mais sublimes palavras)
Dizer, ou escrever...
É talvez seja isso...
Acho que gosto
Por que, assim como seu sorriso,
Não existe verbete no mundo que consiga descrever

não compreendo

Sou selvagem não compreendo
Como pode o branco comprar
O brilho das águas, o frescor do ar
Como vender o que não tenho?

O homem pertence à Terra
Tua mãe não generosa
Sagrada árvore frondosa,
Qual agora tu faz uma oferta

Se por ventura vier à aceitar
Tu branco deverá prometer
Que com harmonia com a Terra irá viver
E ensinará tuas crianças a Terra respeitar

Sou Selvagem e não compreendo
Esse mundo civilizado
Onde tudo é cinza e numerado
Onde o que importa é o quanto compro ou vendo...

Sou Selvagem e me orgulho
De respeitar a Natureza
Sentir e fazer parte da sua grandeza
Há uma ligação em tudo

Há uma ligação em tudo
À cada árvore que cai
À cada búfalo que cai
Um dia recairá ao teu mundo

Tu Branco é meu irmão
Tu pássaro, cavalo, onça, lambari
Mustangue, Xavante, Tupi
Em tudo há uma ligação

Acabou a vida e começou a sobrevivência
Estais destruindo a fonte de teu sustento,
Esta é a tal da ordem e do progresso?

Estais sendo morto por tua prepotência
sou selvagem e não compreendo
Mas grito: DESORDEM E REGRESSO!

(Sobre a carta Chefe de Seatlle. Informe-se)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Das últimas considerações de um agosto demorado

Acho que pela primeira vez (ou a segunda?), não quero saber seus segredos.Não quero ouvir sua voz, nem ver seus olhos!Não quero ver olho algum, nem seu, nem dele, nem os meus próprios olhos!!Não quero mais criar metáforas com seus olhos, não quero criar metáforas com os olhos dele!
Não quero! Não suporto mais essa espera incessante!Não quero mais seus olhos, voz, braços, pele, jeito, cor som! Não quero mais aquele traço, olhos, riso, onix, mel.
Cansei
Estou indo para algum lugar no tempo onde meus sonhos são mais que névoas acima de minha cabeça.Onde a Solidão seja pura, sem hipocrisia alguma.Onde minha árvore me acolha e minhas lágrimas rolem simplesmente e calmamente sobre meu rosto.Onde a saudade não esteja impressa em meus versos, onde o medo seja apenas uma fantasia louca.
No meu terreno em Plutão, Hades declara propriedade coletiva e eu danço com a lua noites e noites seguidas.
Sinto-me à sós quando estou rodeada por tanta gente.Quero me libertar desse tipo de coisa, dessa solidão, dessa alma, dessa imprecisão e também dessa necessidade que tenho de sempre ter que amar alguém.
Mas já amo, amo muitos...Amo todos, mas não sei mais até quando amarei e escreverei. Sem pensar e sem ter medo de escrever aquilo que realmente sinto.Sem ter medo de ser, de ver, aquilo que minha alma grita para mim a todo tempo.
Não quero mais ser assim.Quero apenas um inverno, meus amigos e o cinza que tanto amo.Quero , só agora e não mais, me perder no meu Centro Mágico de ruas e canais com uma bicicleta branca.

Al buen entendedor, pocas palabras bastan

Que agonia é escrever!
Que doloroso processo
é o de poetizar!!!
Como doí amar
(o amor dos outros)
Como doí sorrir num dia cinza.
Como doí
(por que será?)
saber que não serão os meus lábios,
mas sim os dela,
á mapear a pele dele,
e mesmo assim sorrir.
Ah céus!!
Por que será que
este meu lado animal
me impede de aceitar
o que a tempos esperava acontecer!
Ah! Estou tão feliz,
apenas por ver os dois
Juntos.
(mesmo não entendendo o porquê)