Era algo que corria pelo ar da ETECAP, preenchia cada espaço, chacoalhava a copa das árvores, enquanto estávamos em qualquer luta. Era algo que entrava nessa caixa de carne que chamamos de peito e nos dava um certo sentido. A Flavinha sempre dizia isso...
E quando nos preparávamos pra sair à rua eram aquelas palavras que nos davam força. Todos obedientes escutando com atenção o que Orestes tinha a nos dizer. Todos nós, de preto entre faixas e tintas, escutando atentamente aquelas palavras. E Orestes, um orador admirável que faria muito sucesso em assembleias estudantis, nos dizia num tom apaixonado: Quando olho para vocês, jovens indo a luta, penso que meus amigos, amigos que vi serem torturados e mortos pela ditadura militar, não sofreram em vão!. Escutávamos, sentados no chão do primeiro pátio. Eu citarei agora o poeta Gonzaguinha :Eu vou à luta com essa juventude, que não foge da raia a troco de nada! Então eramos um só. Nossos comitês, panfletos, coletes, apitos, cartazes, e aquela chuva que sempre acompanha os etecapianos durante as passeatas.Não eram como as de junho e julho desse ano. Tinham alguma coisa à naquelas palavras.Como aqueles versos de Cecília Meireles, naquela aula sobre inconfidência, que na voz do Orestes ficaram tão sublimes.
Ai, palavras, ai, palavras
Que estranha potência a vossa!