terça-feira, 26 de outubro de 2010
Pássaros
São Pedro
Estrada
Passa terra
Passa verde
Passa cana
Passa soja
E passa carro
E passa carro
Nenhuma casa
Nenhuma vila
Só cana
Só soja
Muita terra
Muita planta
Mudou a paisagem
Passa favela, mas
Não passa a fome
Não passa a sede
Passa o homem
O Bóia-Fria
E passa terra E casarão
Passa cana
Passa soja
Meus senhores
Sem hipocrisia:
Temos pouca terra?
Muita gente?
Pouco pasto?
Conta outra...
Abaixo do Solo
Underground
Aqui em baixo o mundo é do avesso
O que em cima é certo, aqui é errado
Quem em cima é louco, aqui é são
Aliais, quem define estas palavras (barreiras) são as pessoas lá de cima
Aqui a única regra é quebrar as regras lá de cima
A palavra de ordem é liberdade
Toda Arte aqui é feita de pureza e poesia
E tudo é Arte aqui em baixo
Educação não se restringe a livros inexatos
Aqui se aprende e aqui se ensina
Coisas que alguns lá de cima escondem
Neste universo de Arte e Música
Poucos lá de cima se envolvem
Eles tem medo, repugnam
Espalham calunias sobre nosso mundo
Por isso que aqui em baixo do solo
Todos somos feitos de coragem,
Porque renegamos a superfície
E nos livramos de todas as amarras dessa superfície carcerária
Sarau
Amigos....
Amigos
Pessoas que te amam
Só querem o seu bem
E que não se espantam
Com os defeitos que você tem
Por vezes são bem parecidos
Por vezes muito diferentes
Mas sempre estão muito unidos
Por tudo que existe pela frente
Te suportam e te aturam
Te veem ir e chorar
Conversam e te escutam
Te ensinam um outro modo de amar
Leem seus Poemas
Rimam “estrelas com “Joelho”
Sem esforço e sem problema
São seu reflexo num espelho
Entre Risos e besteiras
Provas da realidade
Respeito de qualquer maneira
Isso sim é amizade!
Proposta
Em uma dessas aulas da Stela, tinha um exercício pedindo para fazer uma enumeração...entre os temas estava a infância.Depois de ler os textos para sala, ela nos jogou a proposta de criar um texto sobre infância, mas sobre uma infância diferente...Certamente que depois de uma aula com o Mestre Orestes, não podia criar algo melhor que isso:
{Des} infância
Eu não entendo....
Trabalho desde muito cedo
Não tenho tempo nem para meus medos
Isso é tudo que tenho
Sem bonecas, sem brincadeira
Sem comida, sem bola
Sem recursos, sem escola
Sem infância de qualquer maneira
Enquanto eles não sabem o que é fome
Tem tudo de mão beijada
Andam em muitos carros
Eu não como e nem tenho nome
Já tenho minhas mãos calejadas
Moro, com tantos outros, em barracos
Aulas de LPL
Sonetumeração
Olhei
O vi
Pensei
Senti
Com o olhar perdido
Adormecida de sentidos
Nenhum amigo
Coração Partido
Ele Correu
Eu o segui
Tudo se perdeu
Eu nem percebi
O tudo antes era só meu
Ninguém o amava mais do que eu
Porém tudo apodreceu
Sou Eunice sem Orfeu
Tenho o nada
E mais um Pouco
Na madrugada
Sou Louco
Operação...
Vésperas da primavera
Entre todas as flores que avistei
Escolhi você para de mim cuidar
E em seus braços ,e embalar
Até que me curei
Entre todos que neste mundo existem
Foi você que me mostrou o que é o amor
Por isso que chorei quando vi você com dor
E minhas lágrimas ainda persistem
Pois quando medo tive
Você me acalmou sem demora
Por isso me assombra a ideia de te ver indo embora
Antes mesmo que lhe visse
Mãe, mesmo com tanto medo e expectativas
O amor que tenho por ti não é nada banal
Por que deste mundo não pertence
Quero que com toda alegria você viva
Mesmo que não em sua forma carnal
Porque o que importa na realidade e ver seu espírito contente
Versos Brancos
Em meio a uma tempestade
Onde meus Sentimentos se confundem com a razão
Marx, Engels e Lenin vão formando minha opinião
Onde Nietzsche e Dostoiévisk só aumentam minha ansiedade
Encontro entre Livros e Discos,
Provas, resenhas e reuniões,
Assalariados e explorações,
Seu belo Sorriso
Incendiados pelo mesmo fogo
Aceso pela mesma ideologia
Vi em teus olhos tudo que procurava
O incentivo a começar d novo
Aquilo que tanto me confundia
Encontrei em você o tudo e o nada
Realidade
Realidade
E quando dei por mim
Teu nome morava em minha boca
Tua mente me deixara louca
Só quando dei por mim
E quando dei por mim
Teu cheiro chegava a mim através do vento
Não conseguia mais fugir do teu pensamento
Só quando dei por mim
Agora fico assim,perdida
Entre diferenças e semelhanças
Sem visão do teu futuro
Como em um beco sem saída,
Onde não têm vez as esperanças
Espero tua vontade no escuro