terça-feira, 12 de julho de 2011

Undeci

Outro dia, em um desses domingos em que a saudade bate a sua porta bem na hora do chá e você a convida para sentar-se, forcei minha memória a lembrar de um fato (até então) muito doloroso e que me deixava muito mal...Pois bem, no meu vício constante de escrever criei este poema

Undeci (onze)

Nunca vou me esquecer
O sol ardendo em um mezzogiorno
O céu no azul de verão
O violão pesando as costas.
Era minha ultima vez
Naquele prédio,
Naquela sala,
Naquela rua.
Arrastava os pés, não queria a despedida
A cada momento, o fim chegava mais perto

Nunca vou me esquecer
O último olhar
O último abraço.
Céus! como queria que durasse infinitamente
Suas mãos nas minhas costas, ao violão
Minhas mãos às suas costas...
Da mesma maneira que veio, foi
Não sei
Nunca vou me esquecer

O último sorriso
Você para um lado, eu para outro
Lembro-me de te olhar
Suspirei
Era o fim
Olhei o caminho tortuoso à minha frente
Nunca vou me esquecer
Arrisquei dando meu primeiro passo

Se me arrependo?
Não...
Mas, nunca vou me esquecer

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