Ponteiros se arrastam
Por entre os goles de chá
Passos se afastam
Nas salas de outro andar
A chuva, que é forte
Sob a luz do luar
Espera e quase torce
Para um dia eu voltar
Assisto mentiras
Espero o sono chegar
São molduras vazias
Por entre os goles de chá
Poesias perdidas
Por gavetas trancadas
Por tantas idas e vindas
Por pastas fechadas
Todos sonham, eu acordo
Me recuso a dormir
Quanto o sono, ignoro
Para os raios assistir
Assisto memórias
A ressuscitar
Tropeços, Histórias
Por entre os goles de chá
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